Goiânia – GO

Quase 102 mil crianças entre 0 e 6 anos vivem no município, de acordo com o último Censo. Trabalhar com foco em suas necessidades é não só atender uma parcela significativa, de 8,5% da população local. É também evitar gastos sociais maiores e elevar os ganhos para toda a sociedade no futuro. O dinheiro aplicado em cuidados com as crianças volta para a sociedade na forma de economia com programas sociais, taxa de violência menor, nível salarial maior (que se traduz em produção maior de riquezas e mais impostos para manter os programas do governo).

No caso das crianças do município de Goiânia, os indicadores mostram as seguintes prioridades:

 

SAÚDE

 

>> Dois terços da mortalidade infantil ocorrem por motivos que poderiam ser evitados com ações mais eficientes de assistência a gestantes e ao recém-nascido, melhores condições de parto, diagnósticos e tratamentos mais precisos ou ações de promoção da saúde.

 

Nesse contexto, é importante estender a cobertura da Estratégia de Saúde da Família, que hoje atende apenas 44% da população. É recomendável a ampliação dessa política pública, já que ela pode influir em várias questões ao mesmo tempo: alerta para risco de violência contra crianças, incentivo à matrícula na creche e aleitamento materno, ampliação dos cuidados contra obesidade etc. Além de estendê-la, é fundamental fortalecer as ações de educação permanente para qualificar cada vez mais as equipes.

 

NUTRIÇÃO

 

>> Cerca de 9% dos bebês nascem com menos de 2,5 quilos, o que pode ser sinal de problemas nutricionais durante a gestação ou falhas na assistência durante o pré-natal. A prematuridade e as cesarianas também são um importante vetor do baixo peso ao nascer.

>> Além disso, 8,6% das crianças até 5 anos têm peso abaixo do normal. É mais do que o dobro da média nacional. E 20% são baixas demais; só 74% têm a altura adequada para a idade, 13 pontos percentuais abaixo da média do país.

 

Isso revela que uma das prioridades do governo deve ser a melhora da nutrição, e uma das estratégias para isso é combinar orientações feitas pelas equipes da Estratégia Saúde da Família, pelos programas de visitação domiciliar, além de atenção redobrada à qualidade da alimentação nas creches e pré-escolas, em muitos casos a principal refeição da criança durante o dia.

 

PARENTALIDADE

 

>> Não há dados sobre aleitamento na capital goiana, mas no estado menos da metade das mães declara ter oferecido o peito aos bebês de até 6 meses. Sabemos que não há alimento mais completo para eles – sem contar os vínculos afetivos e o equilíbrio emocional reforçados com a prática. Esta é outra frente em que a orientação das equipes da Estratégia Saúde da Família e os programas de visitação domiciliar pode ajudar.

 

PROTEÇÃO

 

>> Quase 10 mil crianças de menos de 6 anos vivem em famílias pobres ou extremamente pobres que não estão inseridas no Programa Bolsa Família, de acordo com as inscrições do Cadastro Único para Programas Sociais. Este dado realça a necessidade de rever os programas de enfrentamento da pobreza no município, priorizando o atendimento de famílias que tenham crianças de menos de 6 anos.

>> O número de notificações de violência contra crianças de até 4 anos chegou a cair bem em 2015, mas voltou a subir, para 292 casos em 2017. Como esse número se refere somente à violência que gerou atendimento médico ou hospitalar, ele é a parte visível de um fenômeno bem maior, de casos que não chegaram a esse extremo. É uma violência que ocorre dentro de cada, uma vez que nesta idade as crianças nem têm autonomia para sair sem os cuidadores.

 

É crucial, portanto, desenvolver programas de orientação e capacitação das famílias para práticas de parentalidade positiva. É preciso mostrar que violência não educa, apenas traumatiza. Este é outro ponto em que os programas de visitação domiciliar e uma boa cobertura das equipes da Estratégia Saúde da Família podem ajudar.

 

EDUCAÇÃO

 

>> Uma em cada três crianças está na creche em Goiânia. O índice está abaixo da meta do Plano Nacional de Educação (PNE), de garantir a matrícula de 50% das crianças até 3 anos em creche, até 2024, em nível nacional. Já o Índice de Necessidade de Creches (INC), metodologia que permite estimar a quantidade de vagas necessárias tendo em vista a priorização de grupos que mais precisam de atendimento, aponta uma necessidade menor, de 36,4%.

 

>> Quanto à pré-escola, primeira etapa obrigatória da educação básica, 15% das crianças de 4 e 5 anos não têm vaga. Neste caso, a meta é universalizar essa etapa. Já foi comprovado que ela é crucial para todas as crianças por oferecer os estímulos essenciais para o desenvolvimento.

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