Salvador – BA

Há 200 mil crianças entre 0 e 6 anos na cidade, de acordo com o último Censo. Trabalhar com foco em suas necessidades é não só atender uma parcela significativa, de 8% da população local. É também evitar gastos sociais maiores e elevar os ganhos para toda a sociedade no futuro. O dinheiro aplicado em cuidados com as crianças volta para a sociedade na forma de economia com programas sociais, taxa de violência menor, nível salarial maior (que se traduz em produção maior de riquezas e mais impostos para manter os programas do governo).

No caso das crianças de Salvador, os indicadores mostram as seguintes prioridades:

 

SAÚDE

 

>> Dois terços das mortes de bebês de menos de um ano poderiam ser evitadas com ações mais eficientes de assistência a gestantes e ao recém-nascido, melhores condições de parto, diagnósticos e tratamentos mais precisos ou ações de promoção da saúde.

 

Uma das ações para reverter esse quadro pode ser o aumento da cobertura das equipes da Estratégia Saúde da Família, que hoje atingem apenas 36% da população. A ampliação dessa política pública pode influir em várias questões ao mesmo tempo: alerta para risco de violência contra crianças, incentivo à matrícula na creche e aleitamento materno, ampliação dos cuidados contra obesidade etc. Além de estendê-la, é fundamental fortalecer as ações de educação permanente para qualificar cada vez mais as equipes.

 

NUTRIÇÃO

 

>> O alto índice de crianças que nascem com menos de 2,5 quilos, cerca de 10%, aponta para problemas nutricionais durante a gestação ou falhas na assistência durante o pré-natal. A prematuridade e as cesarianas também são um importante vetor do baixo peso ao nascer.

 

>> Para as crianças de até 5 anos, o que mais se encontra é o oposto, risco de obesidade, que afeta 9% delas.

 

É preciso estabelecer políticas específicas para melhorar a nutrição, que podem ser implementadas através da Estratégia Saúde da Família e dos programas de visitação domiciliar, além de mais atenção à qualidade da alimentação em creches e pré-escolas.

 

PARENTALIDADE

 

>> Apenas 45% das mães afirma amamentar seus filhos de até 6 meses. Sabemos que não há alimento tão completo quanto o leite materno para um bebê – sem contar os vínculos afetivos e o equilíbrio emocional reforçados com a prática. Esta é uma outra questão em que os programas de visitação domiciliar e a orientação das equipes da Estratégia Saúde da Família podem ajudar.

 

PROTEÇÃO

 

>> A violência contra crianças de até 4 anos no município é um ponto de atenção. Foram 161 notificações em 2017. Este número, é bom lembrar, aponta casos que culminaram em atendimento médico ou hospitalar – a parte visível de um fenômeno bem maior, de situações que não chegaram a esse extremo. Uma vez que nesta idade as crianças não têm muita autonomia para sair sozinhas, é em casa que esta violência acontece, na imensa maioria das vezes.

 

É crucial, portanto, desenvolver programas de orientação e capacitação das famílias para práticas de parentalidade positiva, mostrando que violência não educa. Este é outro ponto em que os programas de visitação domiciliar e uma boa cobertura das equipes da Estratégia Saúde da Família podem ajudar.

 

>> Cerca de 20 mil crianças no município vivem em famílias em situação de pobreza que estão fora do Bolsa Família. Este dado realça a necessidade de rever os programas de enfrentamento da pobreza no município, priorizando o atendimento de famílias que tenham crianças de menos de 6 anos.

 

EDUCAÇÃO

 

>> A taxa de matrículas de crianças de 0 a 3 anos em creches está em 43,6% . E Salvador é uma das capitais que mais precisa desse atendimento: de acordo com o Índice de Necessidade de Creches (INC), metodologia que leva em conta a priorização de grupos que mais precisam de atendimento, a necessidade é de uma rede que atenda 63,3% das crianças. A meta do Plano Nacional de Educação (PNE) é garantir vagas para 50% das crianças até 2024, em nível nacional.

 

>> O município já cumpriu praticamente a meta de universalização da pré-escola, com 98,8% das crianças de 4 e 5 anos matriculadas. Mas nenhuma criança deve ser deixada de fora – essa etapa é crucial para todas as crianças por oferecer os estímulos essenciais para o desenvolvimento.

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