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Implementar ou ampliar programas de visitação domiciliar

Conheça os benefícios que esse tipo de iniciativa traz para as crianças e suas famílias


Em diferentes países, a visitação domiciliar tem sido uma estratégia de extrema importância para promover a saúde, a parentalidade e o desenvolvimento humano, com inúmeros benefícios para as crianças, as famílias e toda a sociedade.

Essa modalidade de entrega de ações públicas, especialmente no âmbito da saúde e da assistência social, deve se conectar com uma ampla rede de atenção para atender ao objetivo de apoiar as famílias facilitando, por exemplo, interações entre os adultos e as crianças mediadas pelo afeto, dentro dos diferentes momentos da rotina diária, compartilhando possibilidades de brincar, conversar, ler e dar limites de forma positiva.

Estudos indicam que o apoio às famílias pode se desdobrar em uma variedade de experiências estimulantes e apropriadas nos primeiros anos de vida, favorecendo um cuidado cotidiano de qualidade para as crianças.  
 
Nesse tipo de estratégia, profissionais qualificados e treinados visitam as famílias em suas casas com uma determinada periodicidade para ajudar os cuidadores a entenderem melhor o desenvolvimento de seus filhos, apoiá-los no exercício da parentalidade, com dicas para realizarem juntos atividades e brincadeiras.

>> Leia também: Visita domiciliar como estratégia de promoção do desenvolvimento da parentalidade na primeira infância

Programas de visitas domiciliares efetivos, baseados em evidência científica, acontecem de forma estruturada, contam com diferentes currículos, formatos e metodologias que já foram testadas em diversos contextos. Por meio desta prática, os visitadores então multiplicam conhecimento, inserem-se nas realidades da vida da população e modelos de famílias (mães adolescentes, famílias monoparentais, famílias de etnias específicas, entre outras) e podem referenciar as famílias a outros serviços públicos – sobretudo em circunstâncias e comportamentos vividos como preparação para a escola, estresses, abusos, entre outros.  

A visitação domiciliar de qualidade, focada no fortalecimento parental, contribui para a melhora de indicadores relacionados ao desenvolvimento motor, de linguagem, cognitivo e funções executivas da criança – ou seja, no conjunto de habilidades necessárias para o controle consciente e deliberado sobre ações, pensamentos e emoções – além da melhora em habilidades escolares.  

>> Leia também: Estudo de Linha de Base da Avaliação de Impacto do Programa Criança Feliz

Também sabe-se que as visitas domiciliares podem reduzir a incidência de problemas de comportamento como ansiedade, agressividade e estresse, além de apoiar na competência emocional e social para construir relações interpessoais saudáveis. Os impactos se mostram também na diminuição do risco de envolvimento futuro em atividades criminosas, nas taxas de evasão escolas, em agravos de saúde.

Quanto aos benefícios para a família, as visitas domiciliares podem influenciar positivamente nas interações dos adultos com a criança e no fortalecimento de um ambiente doméstico mais estimulante, seguro e saudável. Há evidências que sugerem também que há uma relação entre as visitas e a qualidade da comunicação familiar, que, por sua vez, impacta no nível de vocabulário das crianças. Além disso, um programa de visita domiciliar bem implementado também pode promover o uso de práticas de disciplina positivas e reduzir o uso das negativas, como a punição física, psicológica e os conflitos familiares. 

Segundo James Heckman, Prêmio Nobel da Economia, programas de alta qualidade para crianças vulneráveis de 0 a 5 anos trazem retorno de até 13% ao ano sobre o investimento. Seu estudo aponta, ainda, que os efeitos positivos de programas dessa natureza alcançam os filhos e irmãos dos participantes originais da intervenção, o que sugere que o investimento nessa fase pode contribuir para ruptura do ciclo intergeracional da pobreza.

No Brasil, esses programas são destinados, principalmente, às famílias em vulnerabilidade psicossocial. Cabe aos gestores municipais avaliar a sua infraestrutura do SUS (Sistema Único de Saúde) e do SUAS (Sistema Único de Assistência Social) para decidir como melhor implantar a estratégia de visitação específica para o desenvolvimento infantil, com maior qualidade, impacto e menor custo. Há ainda a possibilidade de utilizar a estratégia de visitação de forma focalizada, para atenção àquelas famílias em maior situação de vulnerabilidade, em conjunto com as ações que já são ofertadas de forma universal na atenção básica de ambos os sistemas.

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